Novo Cobalt automático para dar status ao usuário
Em novembro de 2011, a GM do Brasil ainda via um caminho tortuoso à frente: com apenas uma novidade no mercado (o sedã Cruze), tinha a obrigação de renovar uma linha totalmente envelhecida, mesmo correndo o risco de desagradar o público aposentando medalhões da marca. Nesse contexto nasceu o Cobalt, sedã com espaço generoso a custo mediano, que acabou sendo apelidado de Agile três-volumes, alcunha de viés nada generoso e baseada no visual frontal do modelo. O carro "pegou" sobretudo por agradar ao público emergente da nova classe C.
Agora, nove meses depois e com o portfólio quase todo zero, a fabricante sentiu o momento favorável para mostrar uma nova faceta do Cobalt, que desde seu lançamento prometia uma versão com câmbio automático. A apresentação foi feita nesta quinta-feira (23), mas de uma outra forma: a caixa que dispensa o uso do pedal de embreagem realmente é uma novidade da linha, mas de caráter quase secundário, ofuscada pela disposição da GM em dizer que o importante mesmo é o uso do motor 1.8 Econoflex no carro. Sim, estamos falando do "família 1", velho conhecido do universo Chevrolet e que se perpetua no Cobalt, com devidas modificações para redução de atrito, diminuição de consumo e emissões e, sobretudo, aumento de torque (a conhecida "força"), que empurra o conjunto em saídas, retomadas e aclives, em relação ao 1.4.
A GM tem uma justificativa para a inversão de valores: para a marca, os frotistas ainda têm preconceito com o uso do câmbio automático, que traduz-se numa certa vergonha em admitir que precisam "entregar o comando" do carro à caixa automática, ainda que esta lhe traga economia de combustível (minimizada para quem usa gás natural veicular e seus pesados cilindros no carro, mas ainda assim existente) e conforto em troca. Este preconceito, aliás, existe em boa parcela dos motoristas brasileiros, não apenas nos profissionais -- mas o fato é que a caixa automática de seis marchas (com boa programação eletrônica) traz vantagens que poucos condutores conseguem igualar "no braço", admitindo isso ou não.
E como o Cobalt é a "musa do taxistas" e frotistas em geral (a fila de espera pelo carro chega a até 60 dias, sobretudo pelos pedidos feitos por estas categorias), preferiu-se alardear o novo motor e seus 6 cavalos a mais em relação ao 1.4, mas com torque 30% maior, deixando o câmbio em segundo plano.
Há ainda a esperança de que tais características, e mais a eficiência de consumo e o descanso ao pé esquerdo, atraiam também um novo público, já fisgado pelo espaço interno (são 2,62 metros de entre-eixos dentro dos 4,47 m de comprimento do sedã), volume de porta-malas (563 litros) e atributos da conjunto (silêncio a bordo e suavidade ao rodar) por preço atrativo, mas que precisava de um algo a mais: o "status" de levar o primeiro carro automático (automatizado não serve mais) para casa.
Com isso, as versões do novo Cobalt com motor 1.8 de 108 cavalos e 17,1 kgfm de torque, com etanol, e opção de câmbio manual de cinco marchas ou automático de seis (o mesmo de Cruze, Sonic, Spin e companhia) têm o seguinte preço inicial: R$ 43.690 (manual), R$ 46.690 (automático).
Fonte: carros.uol



0 comentários: